O Rock Nacional nos anos 80

3 março 2015 Música    # 2.894 views
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Os anos 80 foram significativos e marcantes em vários aspectos da sociedade e claro que a música, como uma das maiores formas de arte, participou desse processo, refletindo tudo o que ocorria e representando a juventude brasileira, seus anseios e aflições.

O rock brasileiro, batizado nessa época de BRock, ganhou um enorme impulso, cresceu em popularidade e fincou sua bandeira na história com bandas como Legião Urbana, Barão Vermelho, Titãs e Paralamas do Sucesso. Essas quatro bandas, talvez as mais cultuadas na época, formavam o chamado “quarteto sagrado” do rock nacional.

A MPB e as músicas românticas ainda dominavam o cenário brasileiro no final da década de 70, mas a explosão do rock mundo afora começava e respingar pelo país. As novas tendências que vinham de fora começaram a fazer a cabeça de muitos artistas jovens, que queria sacudir o padrão estabelecido, seguindo a esteira da revolução social e cultural que os anos 80 traziam consigo. O feminismo, a geração “rebelde sem causa”, a moda, a sociedade de saco cheio da política e ditadura e tudo mais queriam se expressar de alguma forma, e encontraram sua voz no rock.

O BRock nasceu com uma mistura de ritmos

A verdade é que o rock brasileiro não nasceu “puro”, ele se misturou com outros estilos de fora, como os já estabelecidos punk e reggae, e o new wave, que significa literalmente nova onda. A banda Blitz (que Evandro Mesquita fundou e liderava, com Fernanda Abreu nos backing vocals) foi uma das primeiras a pegar essa “nova onda” e se transformou em um sucesso instantâneo com a música “Você Não Soube Me Amar”, um verdadeiro fenômeno.

As portas estavam abertas e o caminho escancarado para essa nova música que começava a tocar Brasil afora. Renato Russo com sua Legião Urbana, Cazuza e Frejat com o seu Barão Vermelho, Paula Toller com o seu Kid Abelha e Herbert Vianna com os seus Paralamas do Sucesso. Além do Legião Urbana, Renato Russo participou da fundação de outra banda, o Aborto Elétrico, que se tornou o Capital Inicial.

Legião urbana

Enquanto isso, uma outra mistura de MPB com o pop internacional ganhava espaço nas rádios. Esse “pop rock” emplacou de vez com nomes como Eduardo Dusek, Guilherme Arantes, Baby Consuelo e Pepeu Gomes, Rádio Táxi, A Cor do Som, Marina, Ritchie, Kiko Zambianchi, Lulu Santos, Fausto Fawcett, Léo Jaime, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e um dos maiores ícones dessa época, Lobão.

Outros grupos começaram a surgir em São Paulo, com enorme sucesso: RPM, Ultraje a Rigor e Titãs, que criou um verdadeiro marco com o álbum Cabeça Dinossauro.

Banda RPM

As aberturas do Circo Voador (originalmente na Praia do Arpoador) no Rio de Janeiro e do Aeroanta em São Paulo deram a essa geração um palco permanente para expressar e divulgar sua música. A lendária Rádio Fluminense foi outro bastião do movimento, sempre divulgando as músicas dos novos nomes do BRock. Em 1983, a Rádio Fluminense fez uma parceria com o Circo Voador, lançando o disco “Rock Voador”, que entre outros nomes, revelou o grupo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens.

Em São Paulo, o cenário se dividia com muitas novidades. O movimento punk se revitalizava, com o festival “O Começo do Fim do Mundo” apresentando novas bandas como Ratos de Porão, Inocentes, Cólera e Olho Seco. Os Titãs continuavam crescendo, o Ultraje a Rigor se transformou em um sucesso comercial e a chamada “música de vanguarda” começava a dar suas caras através de Premeditando o Breque, Arrigo Barnabé e Língua de Trapo. São Paulo, assim como o Rio de Janeiro, também fervilhava com bandas pipocando a todo momento, como Ira e Magazine (banda do Kid Vinil).

Em 1984, o BRock já tinha se consolidado, dominando o panorama da música brasileira. O ano viu grandes discos serem lançados, como o primeiro disco de estúdio dos Titãs (mesmo nome), “Tudo Azul” do Lulu Santos, “Seu Espião” do Kid Abelha, “Ronaldo foi pra Guerra” do Lobão, “O Passo do Lui” dos Paralamas e “Maior Abandonado”, último disco de Cazuza com o Barão Vermelho. Programas de TV se renderam ao BRock, assim como o cinema nacional, que entregou filmes como Bete Balanço e Rock Estrela.

Rock in Rio e a consolidação do BRock

O BRock parecia já estar enraizado nos anais da música brasileira, mas ainda faltava um último ato, que veio em 1985 – a primeira e mitológica edição do Rock in Rio. Foi ali, ao longo de uma odisseia que durou 10 dias, que o rock brasileiro dos anos 80 se legitimou de vez, ao lado de nomes consagrados como Iron Maiden, Yes, Scorpions, Kiss, Ozzy Osbourne, AC/DC e Queen. Os Paralamas do Sucesso, Blitz, Barão Vermelho, Kid Abelha e Lulu Santos seguraram bem a onda de tocar ao lado de bandas tão famosas, mostrando ao público que o BRock tinha vigor e apelo para entrar de vez pra história.

Definitivamente o rock passou a fazer parte da música brasileira, e bandas de rock do mundo todo passaram a incluir o Brasil em suas turnês. Nossas bandas também cresceram, aprendendo muito com os roqueiros internacionais.

Depois disso, muitas coisas dignas de nota ainda aconteceram, como o sucesso do RPM com o disco “Revoluções por Minuto” e o show que rodou o Brasil todo, Rádio Pirata. O Legião Urbana também lançou seu primeiro disco em 1985, apresentando aos jovens de todo país a poesia e a identificação de Renato Russo com seus anseios e preocupações.

O punk-rock do Legião Urbana começou a dominar a mídia, junto com outros representantes do estilo, como Capital Inicial, Plebe Rude, Ira! e Camisa de Vênus.

O Rio Grande do Sul também entrou no circuito do BRock, com bandas que alcançaram um grande público, como Engenheiros do Hawaii, De Falla e Os Replicantes. A década ainda veria o surgimento de diversas bandas, como Biquini Cavadão, Picassos Falsos, Hojerizah e Nenhum de Nós. Ed Motta também surgiu no final dos anos 80, injetando uma boa dose de soul no rock.

Em 1989, um episódio sinalizou o fim de uma era. Em um show em Brasília, no estádio Mané Garrincha, uma grande confusão se formou. O vocalista do Legião Urbana, Renato Russo, foi agredido por fãs no palco, enquanto a polícia batia no resto da plateia. O show foi interrompido e a plateia saiu revoltada do estádio. No mesmo ano, em julho, morria Cazuza e em agosto, Raul Seixas, parecendo dar um ponto final a esse período tão rico da nossas história musical.

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  1. 11 / 24 / 2016 20:30

    melhor epoca da minha vida. Acredito que quem viveu nessa época entende bem que nada, nenhum movimento ou estilo musical jamais ira atrair um publico tao apaixonado como dos anos 80. Foi magico!!! tudo que queria era aquele tempo. Aquela juventude com sede de libertacao e mudanças. Nada será como aquela época.

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